segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

one last try



Estamos velhos. Precisamos do álcool com mais frequência. Não temos tempo para escrever. Ou temos tempo, mas estamos preocupados com outras coisas...  Ainda temos inspirações, mas elas passam. Respiramos, inspiramos. Os problemas do mundo persistem, é difícil falar disso de maneira poética.
Lembrei-me de muitas coisas interessantes, mas me esqueci. Deixei pra lá. Há mais com que se preocupar com que textos lançados ao ar, devaneios de mentes doentias que jamais terão importância. Não fazem diferença na vida de ninguém, nem nas nossas.
Hoje a realidade é mais pesada que concreto
O vento sopra enquanto corta
O ar sufoca
Os passos se arrastam
A vida passa em câmera lenta
E tudo se repete como se estivesse escrito
Que tem que ser assim
Que por mais que se grite
Serão apenas ecos perpétuos
No infinito

anaufabeto de souza

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A Casa Basca

O arbusto
Cobre o obscuro
Esconde o inseguro
Conserta o muro

A maçaneta
Abre o fechado
Mostra o errado
Esconde a muleta

A fechadura
Cabe uma dura
Que gira e empurra
Pra encontrar o escuro

Confrontam-se pelo conforto
Abrir-se-ão todas, mas todas as portas
Assim findaram-se as puritanas.

Espanhol de Belos Dentes

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Duo


Os olhos fitam o coração vazio

E o coração vazio fita os olhos que lacrimejam.

El Borracho

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Fugere Realitas


Te tenho em meus braços
Só minha, sozinha
Repousada em meu colo
Tão leve, tão linda

Te cubro de paz, de silêncio, calor
Liberto meu peito, esqueço meu ego
Me basta nós dois, só nós dois

E esqueço de tudo, de todos, do tempo
Me esqueço da dor de sentir-me vazio
Sou seu, entregue, sereno cordeiro
Perdido em um mar pacífico, flutuo

E a tempestade vem, chuva negra gelada
Trazendo em seu seio a realidade amarga

Sufoco meu instinto, paro
Sufoco o sentimento, recuo
E a realidade, como um trem-de-ferro, atropela a ilusão
E a ilusão luta, em vão

Desperto, volto a mim
Pálido, me deito, nas correntes ásperas, tão reais
E em um silencioso choro, peço

Pra que um dia não mais haja tempestade
Mas somente a eternidade da ilusão
O teu abraço, para sempre, a ocupar-me o espaço
E o teu sorriso, livre de fardos, a encorajar o meu.

Sheik Band-Aid

i como poeta


Como poeta fui
Como poeta quis
Como poeta tentei
Como poeta jazi

São versos simples, miúdos
Assim como me senti
Menor que o pingo que repousa (flutua)
Sobre a fina haste do i

Desiludido, solitário e
Com medo de cair
Sobre o chão duro e real
Que encerra a historia aqui.

k

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Pergunta


O que acontece quando não se tem nada pra escrever, nada pra mostrar, nem pra si mesmo? Quando tudo o que se sente é a falta de sentir algo? Um pouco de raiva, de alegria, mas só tentativa. Tudo o que há é o nada, apatia. Um rio vazio em época de chuva.
O que acontece?

Le Petit Joseph

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Mareado


Pouco se diz através das palavras

As palavras são sacos vazios

Não dizem o que querem dizer

Pouco se diz através das ações

Que são meros arremedos do pensamento

Que já foi crivado pela realidade

Algo se diz quando se revela aonde

Na lágrima que o olho esconde

k